quarta-feira, 1 de julho de 2015

A prevalência do “HOMO PARVUS”

O episódio de ontem, na votação da lei que modificava a maioridade penal para crimes graves, em que a expectativa popular 83% favorável à redução, e que terminou com a derrota da proposta, e portanto, com a derrota da vontade popular, fez com que muita gente duvidasse da validade do sistema de representação democrática hoje existente no Brasil.

Vozes indignadas se ergueram nas mídias sociais, culpando os parlamentares, acusando os de desrespeitarem os seus eleitores. Será?
Vejamos! A imensa maioria dos “cidadãos” dessa terrinha, se perguntados em quem ele votaram para deputado federal nas últimas eleições, não saberão responder. Uma outra parcela, bem menor, lembra, mas se você lhes perguntar o motivo do voto, vai ficar sabendo que foi por que a prima do irmão da cunhada do conhecido pediu! Outra pequena parcela, dirá que votou por que “ele me deu alguma coisa”, sim, vendeu o voto por 1 milheiro de tijolos, ou 30 telhas de amianto... E têm aqueles 20%, que deram o voto pela tal de bolsa fome.
Como então falar em representação? Qual o vinculo causa / efeito entre o voto dado e o compromisso de representar vontades e idéias? No primeiro grupo, o voto não foi dado pela proximidade ideológica, portanto, nenhum compromisso pode existir, da parte do eleito, para com a tal “vontade” do eleitor. E no segundo grupo, voto comprado pertence a quem comprou! Simples lógica do direito de propriedade!
Fico então pensando, que na hera da “mulher sapiens”, no reino da mandioca, o eleitorado é composto por uma imensa maioria de “homo parvus”, que compareceu às urnas pra “cumprir obrigação” sem nenhum interesse real, completamente desinformado, alienado de vez, e agora, de repente, vem querer cobrar de quem, afinal, nada lhes deve!
A culpa, portanto, da derrota dos 83% que queriam a redução da maioridade penal não é, de maneira nenhuma, do parlamentar descompromissado, que livre, ou por que comprou o voto, ou por que nada prometeu em troca de, age com completa independência, atendendo somente aos seus interesses, confessáveis ou não.
Claro, enquanto prevalecer a maioria de homo parvus no eleitorado brasileiro, nada melhor se pode esperar, só a chiadeira sem razão nem sentido dos que se deixaram levar.
Gil Celidonio Jr.

http://amoscazombeteira.blogspot.com.br/